A pastelaria do “eu te amo” num mundo líquido!



Por Aline Nunes


Em tempos em que escolhemos tudo aquilo que queremos, consumimos como queremos, curtimos, descurtimos, e vivemos cada vez mais acelerados, esquecemos - E MUITO - o peso das palavras no mundo REAL!


Palavras sensiveis como “te amo”, por exemplo, são repetidas aos montes, para qualquer um que conhecemos. Como assim, Aline? Simples! Quantas vezes você já não precisou, no meio de uma urgência urgentíssima, a ajuda, por exemplo, de uma pessoa do TI da sua empresa porque a impressora falhou bem na hora mais essencial do seu dia? E de repente aquele ser de luz surgiu na sua frente, apertou dois botões e sua vida foi resolvida e você, no impulso da gratidão máxima, soltou: “caraca, você salvou minha vida, te amo!”.


Tudo bem, acabamos falando esse “te amo” quando temos um mínimo de intimidade com alguém, mas você certamente parou para pensar que já esteve em alguma situação difícil, contou com a ajuda repentina de um colega e soltou esse “te amo” de alivio ai. Acertei né?


Tá bem, mas qual o problema nisso? TODOS! O ser humano tem vivido cada vez mais com relações interpessoais, com amizades virtuais, com relações frágeis, uma grande bosta para as nossas cabeças. Ás vezes, para você, tudo bem escutar esse te amo de alívio, vai entrar numa orelha e sair na outra. Mas alguém que recebeu essa sua fala pode, sim, entender isso de uma maneira diferente, criar um laço que não existe com você! Aí lascou!


Tudo isso que estou falando porque eu, muitas amigas minhas e o MUNDO hoje usa a expressão “amiga” para cá e para lá! Eu mesmo no trabalho outro dia soltei um “amigo” para um cara super aleatório na minha vida e na minha rotina! E recentemente uma amiga viveu uma situação dramática, sim, dramática, com uma pessoa que ela chamou duas ou três vezes de “amiga”, bem superficialmente, e a pessoa real achou que elas eram unha e carne, tampa e panela, inseparáveis! E cara, elas se conheciam há 15 dias, um mês, sei lá...


Mas não dá para julgar, não sabemos como está a cabeça da pessoa que está ao nosso lado no ônibus, no metrô, na escola, no trabalho. Mas podemos, sim, parar e pensar no peso das palavras que falamos, mesmo essas com conotação positiva. Antigamente, pensávamos apenas em como falar as coisas negativas para o próximo, mas hoje em dia, em que tudo está tão líquido, até um sentimento ou elogio precisa ser avaliado antes mesmo de ser repetido! Não é para pisar em ovos, mas colocar um freio nessa pasteleira aí!


Até o próximo pensamento!