Sobre o Tempo



Por Mariana Klinke


No começo de maio, gravei com o sociólogo italiano Domenico de Masi, famoso por sua teoria sobre O Ócio Criativo (se nunca leu esse livro, leia!)


De Masi veio ao Brasil para lançar Uma simples revolução, um novo livro que compila artigos sobre temas relacionados ao mercado de trabalho e nossa relação com ele. Um desses temas é o Tempo.

Na pré-entrevista que fiz por telefone, De Masi falou sobre como a tecnologia melhora nossa relação com o trabalho e com o Tempo. Uma das razões para isso é que a tecnologia permite fazer home office, evitando grandes deslocamentos, aumentando nossa concentração e nos ajudando a realizar as tarefas em menos tempo. Em outras palavras: a tecnologia permite que a gente trabalhe menos. Mas será mesmo?


Eu disse a De Masi que a sensação que eu tenho é de que a tecnologia nos faz trabalhar mais (afinal, sempre tem aquele chefe ou colega de trabalho que manda mensagem de WhatsApp ou um e-mail às 11 da noite, não é mesmo?). A resposta do sociólogo a essa minha pergunta foi: “Há dois tipos de pessoa: a pessoa inteligente e a pessoa estúpida. Para as pessoas inteligentes, a máquina significa mais tempo livre. Para as pessoas estúpidas, a máquina significa menos tempo livre. As pessoas inteligentes são dominantes no que diz respeito à máquina. As pessoas estúpidas são dominadas pela máquina.

Quem responde mensagens do chefe depois do expediente, durante o tempo livre, não são seres humanos, são escravos”.


Claro que no dia-a-dia da firma, a coisa não é tão simples assim.Porém, o incômodo que essa fala causou em mim (e em outros ao meu redor) me fez pensar que há algo errado com a vida frenética e ocupada que estamos levando.


Semana passada, fui em uma palestra na qual falou-se novamente sobre o Tempo. O foco do palestrante era em como usar a tecnologia para aumentar nossa produtividade e fazer mais coisas. Nesse caso, minha sensação foi que essa sugestão nos levaria a uma vida mais frenética do que já temos. Será que estar conectado 24 horas e produzindo mais e mais seria bom?


E com todas essas questões sobre o Tempo na cabeça, fui arrumar minha mesa de trabalho na firma. E o que encontrei lá? O livro Faça Tempo, publicado pela Editora Intrínseca. Pode ter sido só coincidência – ou pode ter sido um sinal – só sei que senti que era hora de dar uma chance a esse livro. E logo nas primeiras páginas, vi que estava certa, especialmente porque me identifiquei com a visão que os autores têm sobre o uso do Tempo. Para Jake Knapp e John Zeratsky, ter Tempo não significa preencher a agenda com mais atividades e mais obrigações. A ideia do método Faça Tempo não é fazer mais coisas, e sim criar mais tempo durante o dia para as coisas com as quais você se importa. É deixar de usar seu Tempo apenas para reagir às prioridades dos outros e reassumir o controle.


“Quando o controle é seu, é você quem dita as regras do jogo” (Faça Tempo, 2019).


Claro que não dá para deixar de ir ao trabalho, responder e-mails, fazer ligações, ter reuniões que poderiam ser um e-mail ou cuidar da casa e lavar a pia cheia de louça, mas... Essas atividades não podem preencher seu dia e encobrir algo que você gostaria mesmo de ter feito naquelas 24 horas.


Eu (ainda) não sou o melhor exemplo de bom uso do tempo (minha ansiedade me faz querer ser produtiva o tempo todo, até dormindo). Por isso, e pela simpatia que senti pelo livro, vou testar uma pequena mudança no padrão de funcionamento da minha semana, começando nessa segunda.


O EXERCÍCIO

O método Faça Tempo sugere que você escolha na noite anterior, ou logo que acordar, um Destaque para o s