Viciado em café? Use a cafeína ao seu favor!

Por Mariana Klinke


Enquanto escrevo esse texto, estou tomando meu primeiro café da minha manhã. Eu gosto de café fraco e não tenho paladar para curtir o café espresso (há quem diga que eu tomo chafé e não café. rs!). O lance é que eu amo aquele cafezinho coado que o cheiro espalha pela casa, lembrando casa de vó e casa de mãe. Mas mais do que café, meu amor verdadeiro é pelo chá.


Então, por que eu decidi falar sobre café? Bem... Eu comecei a tomar café com mais de 30 anos, durante o mestrado, quando precisava de energia para escrever os trabalhos e a dissertação. Pra vocês entenderem: eu me importava tão pouco com café que tomava café solúvel (bleh!). Mesmo sendo ruim, o efeito foi o mesmo de um café maravilhoso: viciar meu cérebro em cafeína. Assim, quando o mestrado acabou, meu cérebro continuou pedindo por café e eu comecei a ter dores de cabeça.



A saída que encontrei foi tentar balancear a quantidade de café (diminuir, no caso, e não tomar mais toda hora, como se fosse água, que nem eu fiz no mês final da dissertação). Retomei o chá verde e o chá preto (geralmente em blends, ou seja, infusões de chá misturado com outras frutas e especiarias, que me dessem mais energia). Isso funcionou por um tempo até que eu caí em tentação novamente.


Com o passar do tempo, o excesso de trabalho voltou a dominar minha vida. Para dar conta de tudo, eu tomava uns cinco cafés por dia. Como no trabalho não tinha café coado, me enchia de espresso. Resultado: minha insônia voltou. Mesmo fazendo exercício, era difícil ter um sono tranquilo. Isso durou até pouco tempo, quando li um livro já citado por mim aqui: Faça Tempo. Existe uma parte do livro dedicada a dicas de como trazer mais energia para o nosso corpo, o que inclui um sono de qualidade e tomar cafeína no horário certo.



Mas qual seria esse horário certo? Então... Depende. Cada organismo funciona de um jeito e só tem uma forma de saber qual o melhor período do dia para você consumir cafeína: TESTANDO.


Por exemplo... Eu acreditava que meu horário limite era 16:00. Às vezes roubava um pouco e tomava o último café perto das cinco da tarde. E esse era um grande erro. Quando decidi parar mais cedo com o café, descobri que se tomar essa bebida depois das 15:00, meu sono já será menos tranquilo. Outra coisa que aprendi com o Faça Tempo é que acordar sem cafeína é muito melhor. Isso porque de manhã seu corpo produz cortisol, o hormônio que faz a gente acordar. O horário de produção mais alta do cortisol, para a maioria das pessoas, é em torno de 8 – 9 horas da manhã.


Então o ideal seria acordar, comer alguma coisa e tomar o primeiro café às 09:30. Confesso que não tenho me prendido tanto assim ao relógio pela manhã. Mas sinto que o fato de acordar, me hidratar com água, comer frutas e só então tomar café tem me feito muito bem (e meu estômago agradece por não ser corroído por uma dose de café assim que acorda).



Atualmente, eu tomo uma xícara grande de café fraco pela manhã e um espresso longo (mais aguado e fraco) depois do almoço. O restante do dia segue na base do chá, que me proporciona doses mais baixas e mais frequentes de cafeína, que ajuda a manter um nível constante de energia ao longo do dia. A presença de cafeína no chá é bem menor, mas os efeitos são mais duradouros. O chá possui, além da cafeína, polifenóis (os taninos), que regulam a liberação da cafeína, criando uma sensação de alerta por mais tempo.


No livro Manual del Sommelier de Té, minha querida professora Victoria Bisogno, em parceria com Jane Pettigrew, mostra (com números) a diferença que há entre a quantidade de cafeína do café e do chá:


Uma xícara de café expresso ………… 300mg